amoral

fora dos costumes

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

costura

minhas pernas doem
a faca que corta o tecido destroi minha mão
os fios enrrolam em meu coração
o looper laça o fio dando maior tensão

o fio corta o que toca
a agulha fura o couro
o sangue escorre entre as engrenagens
o sangue lubrifica as engrenagens
tornando a maquina mais rapida

unir dois fragmentos de mim mesma
juntar o que nunca se separou
concertar o que não tinha defeito

o fio toca o que corta
a faca apara o que sobra
com velocidade constante para não marcar o couro
os fios se entrelação
o sangue seca
a maquina para

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

insanidade

fantasmas do passado tentam me assombrar
lembranças que num devem ser lembradas
coisas que imploro pra esquecer

momentos de angústia
dor
sofrimento
me levam a beber
me levam a fumar
tentam me matar

tento enterrar os fantasmas vivos
eles teimam em sair de suas covas
eles querem me devorarr
eles querem me levar

tento fugir...
as vezes eles me pegam
e me lembram de toda a dor

não sei se vou fugir por muito tempo

sinto medo de falar sobre eles
as pessoas não entenderiam
me achariam louca

estou enlouquecendo

quero fugir de tudo
quero esquecer tudo
a dor é incontrolavel
não quero mais nada

os passaros não cantam mais
tudo perdeu o sentido

sem querer quero você

num aguento mais os fantasmas

eles querem me levar

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

sem sentido

estou sozinha
vou beber
só perdi a viagem
foi só uma miragem

sozinha estou em meio a multidão
meu sorrizo foi roubado
a solidão me consola

tento corrigir o incorrigivel
consolar o inconsolavel
acabar com o que nunca existiu

terminar o que nunca começou
...
não consigo

vou viver o que não acontece